sexta-feira, 4 de março de 2011

ALEXANDRE PARENTE

RESUMO


Partindo do nome de uma rua da cidade de Salgueiro-PE este trabalho procura reconstituir a biografia de um comerciante local: Alexandre da Cruz Parente, filho de um boiadeiro e suposto descendente do fundador da cidade, ele procurou reinventar sua identidade após ser expulso do sítio familiar por perseguições políticas e foi pioneiro entre os muitos pequenos empresários comerciais do seu clã surgidos após a década de 1950. Uma doença acabou com sua vida e as possibilidades de ascensão familiar no final dos anos 60. O cotidiano local, a ancestralidade familiar e a miscigenação cultural do sertanejo foram estudados a partir do personagem e das suas relações familiares e profissionais. O período que se seguiu a Segunda Guerra Mundial revolucionou as relações socioeconômicas e culturais em todas as partes do mundo e teve um impacto significativo na cidade. Também a nova moda genealógica de se investigar ancestralidade judaica no interior brasileiro recebeu embasamento acadêmico sendo analisados junto com outros povos esquecidos, os ciganos e mouros. As narrativas do passado ancestral, romantizadas, tiveram uma influencia decisiva no comportamento de Alexandre e seus parentes. A semelhança entre o não conformismo do personagem e de seu famoso ancestral, o capitão-mor Filgueiras bem como o pacifismo da família Parente e sua identificação com o clã Sá, são relevantes. Também a herança judaico-portuguesa e sua tradição comercial e avara são fundamentais para se compreender o comportamento dos personagens.




Palavras-chaves: família, comerciante, pós-guerra, hereditariedade.
























ABSTRACT


The name of a street of Salgueiro-PE brasilian city is the start of the academic work wich tell the life of a place merchant: Alexandre da Cruz Parente cawboy son and descendent of the city found, he tried change your identity after had be basished of the family farm for politcs chases and he was a pioner between the very little merchants of your family arise after 1950. A dickness destroy your life and possibility of your family develop in the end of  60 years. The cotidian place, family ancestrality and cultural mixture of the country was to study start of the person and your family and profissional relations. The period after the Second World War was a revolution social, economics and cultural relations in all world and have a significative impact in the city. Too the new genealogy mode of to look the jeus ancestrality in brasilian in door receive a academic embased and was study for other peoples, gypcys and Moslens. Romantics ancestral past time history have a influence in the behavior of Alexandre and your family. Your no conform and the behavior of your ancestry Captain-mor Filgueiras, the pacifism of the Parente family and your identidy of the Sá family are very disclose. The tradition merchant and economic of the ibéric jeus are essencial for to undestand the behavior of the persons.


Keywords: family, merchant, postwar, hereditary.






ALEXANDRE PARENTE

João Paulo Filgueiras












ALEXANDRE PARENTE

Um diletante à sombra dos coronéis













Faculdade de Ciências Humanas do Sertão Central – FACHUSC
Salgueiro
2010
João Paulo Filgueiras












ALEXANDRE PARENTE

Um diletante à sombra dos coronéis



Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Faculdade de Ciências Humanas do Sertão Central – FACHUSC, como exigência parcial para a obtenção de diploma ou certificado no curso de Licenciatura em História.
ORIENTADORA: Profª. Ms. (doutoranda) Maria Jorge Santos Leite






Faculdade de Ciências Humanas do Sertão Central – FACHUSC
Salgueiro
2010
João Paulo Filgueiras












ALEXANDRE PARENTE

Um diletante à sombra dos coronéis





Salgueiro, 12 de Novembro de 2010.

____________________________________________________
Professora orientadora Ms. Maria Jorge Santos Leite

____________________________________________________
Professora Examinadora: Ms. Kennya Lima Almeida

____________________________________________________
Professora Examinadora: Raphaela Hildita de Sá Guedes Deodato


EPÍGRAFE
































           
“As coisas todas no poder se abrigam,
O poder na vontade,
Que se abriga por sua vez na cobiça,
Ora a cobiça, esse lobo de todos.
Tendo apoio redobrado da força e da vontade
Transforma logo em presa o mundo todo,
Para depois, se devorar por último”.

(William Shakespeare)

DEDICATÓRIA








Aos meus pais, que sempre me apoiaram.





Aos meus tios e avós, recordados por esse trabalho.


















AGRADECIMENTOS.












À minha orientadora, profª. Ms. (doutoranda) Maria Jorge Santos Leite, por sua valiosa orientação, paciência e apoio.

Aos prof. Kênnya Lima Almeida e Waldemar Silva Júnior, cujas sugestões de leitura forneceram minha fundamentação teórica.

À minha família, a “Seu Chicô”, a “Dona Lilíta”, as irmãs Áurea e Naísa e a “Luizão” que forneceram às informações necessárias.

Aos demais professores e colegas do curso, pela cooperação e as bibliotecas da FACHUSC e Municipal, onde encontrei abundante bibliografia.


ALEXANDRE PARENTE

João Paulo Filgueiras












ALEXANDRE PARENTE

Um diletante à sombra dos coronéis













Faculdade de Ciências Humanas do Sertão Central – FACHUSC
Salgueiro
2010
João Paulo Filgueiras












ALEXANDRE PARENTE

Um diletante à sombra dos coronéis



Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Faculdade de Ciências Humanas do Sertão Central – FACHUSC, como exigência parcial para a obtenção de diploma ou certificado no curso de Licenciatura em História.
ORIENTADORA: Profª. Ms. (doutoranda) Maria Jorge Santos Leite






Faculdade de Ciências Humanas do Sertão Central – FACHUSC
Salgueiro
2010
João Paulo Filgueiras












ALEXANDRE PARENTE

Um diletante à sombra dos coronéis





Salgueiro, 12 de Novembro de 2010.

____________________________________________________
Professora orientadora Ms. Maria Jorge Santos Leite

____________________________________________________
Professora Examinadora: Ms. Kennya Lima Almeida

____________________________________________________
Professora Examinadora: Raphaela Hildita de Sá Guedes Deodato


EPÍGRAFE
































           
“As coisas todas no poder se abrigam,
O poder na vontade,
Que se abriga por sua vez na cobiça,
Ora a cobiça, esse lobo de todos.
Tendo apoio redobrado da força e da vontade
Transforma logo em presa o mundo todo,
Para depois, se devorar por último”.

(William Shakespeare)

DEDICATÓRIA








Aos meus pais, que sempre me apoiaram.





Aos meus tios e avós, recordados por esse trabalho.


















AGRADECIMENTOS.












À minha orientadora, profª. Ms. (doutoranda) Maria Jorge Santos Leite, por sua valiosa orientação, paciência e apoio.

Aos prof. Kênnya Lima Almeida e Waldemar Silva Júnior, cujas sugestões de leitura forneceram minha fundamentação teórica.

À minha família, a “Seu Chicô”, a “Dona Lilíta”, as irmãs Áurea e Naísa e a “Luizão” que forneceram às informações necessárias.

Aos demais professores e colegas do curso, pela cooperação e as bibliotecas da FACHUSC e Municipal, onde encontrei abundante bibliografia.







RESUMO


Partindo do nome de uma rua da cidade de Salgueiro-PE este trabalho procura reconstituir a biografia de um comerciante local: Alexandre da Cruz Parente, filho de um boiadeiro e suposto descendente do fundador da cidade, ele procurou reinventar sua identidade após ser expulso do sítio familiar por perseguições políticas e foi pioneiro entre os muitos pequenos empresários comerciais do seu clã surgidos após a década de 1950. Uma doença acabou com sua vida e as possibilidades de ascensão familiar no final dos anos 60. O cotidiano local, a ancestralidade familiar e a miscigenação cultural do sertanejo foram estudados a partir do personagem e das suas relações familiares e profissionais. O período que se seguiu a Segunda Guerra Mundial revolucionou as relações socioeconômicas e culturais em todas as partes do mundo e teve um impacto significativo na cidade. Também a nova moda genealógica de se investigar ancestralidade judaica no interior brasileiro recebeu embasamento acadêmico sendo analisados junto com outros povos esquecidos, os ciganos e mouros. As narrativas do passado ancestral, romantizadas, tiveram uma influencia decisiva no comportamento de Alexandre e seus parentes. A semelhança entre o não conformismo do personagem e de seu famoso ancestral, o capitão-mor Filgueiras bem como o pacifismo da família Parente e sua identificação com o clã Sá, são relevantes. Também a herança judaico-portuguesa e sua tradição comercial e avara são fundamentais para se compreender o comportamento dos personagens.




Palavras-chaves: família, comerciante, pós-guerra, hereditariedade.
























ABSTRACT


The name of a street of Salgueiro-PE brasilian city is the start of the academic work wich tell the life of a place merchant: Alexandre da Cruz Parente cawboy son and descendent of the city found, he tried change your identity after had be basished of the family farm for politcs chases and he was a pioner between the very little merchants of your family arise after 1950. A dickness destroy your life and possibility of your family develop in the end of  60 years. The cotidian place, family ancestrality and cultural mixture of the country was to study start of the person and your family and profissional relations. The period after the Second World War was a revolution social, economics and cultural relations in all world and have a significative impact in the city. Too the new genealogy mode of to look the jeus ancestrality in brasilian in door receive a academic embased and was study for other peoples, gypcys and Moslens. Romantics ancestral past time history have a influence in the behavior of Alexandre and your family. Your no conform and the behavior of your ancestry Captain-mor Filgueiras, the pacifism of the Parente family and your identidy of the Sá family are very disclose. The tradition merchant and economic of the ibéric jeus are essencial for to undestand the behavior of the persons.


Keywords: family, merchant, postwar, hereditary.















VI – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

6.1. Livros

ANDRADE, Manoel Correia de. A terra e o homem do Nordeste: contribuição ao estudo da questão agrária do Nordeste. 7 ed. São Paulo: Cortez, 2004.
BURKE, Peter. O que é a história cultural? Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.
CONRAD, Joseph. O coração das trevas. São Paulo: Martins, 2007.
ELIADE, Mircea. El mito del Eterno Retorno. Buenos Aires: Emecé. 2001.
__________________. O Sagrado e o Profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Livros técnicos e científicos, 1989.
GUINZBURG, Carlo. Mitos, Emblemas, Sinais: Morfologia e História. São Paulo: Companhia de Letras, 2003.
 _________________. O queijo e os vermes. São Paulo: Cia de Letras, 1986.
HOBSBAWM, Eric J. A Era dos Extremos (1914-1991). São Paulo: Companhia de Letras, 2004.
_________________. A Era dos Impérios (1875-1914). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.
KAYSERLING, Meyer. “História dos Judeus em Portugal”. Pioneira, 1971.
LARAYA, Roque Barros. Cultura um conceito antropológico. 11 ed. Rio de Janeiro: Zahar editor, 1997.
MEGGERS,  Betty J.  A América Pré-Histórica. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.
MELO, Evaldo Cabral de. Rubro Veio: o imaginário da restauração pernambucana. 2ª ed. Rio de Janeiro: Topbooks, 1997.
PRADO JÚNIOR, Caio. Evolução Política do Brasil: Colônia e Império. São Paulo: Brasiliense, 1994.
 ____________________. Formação do Brasil Contemporâneo, São Paulo: Brasiliense, 1986.
SAHLINS, Marshall. História e Cultura. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006.
SANTOS, Clóvis Roberto. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) – Guia de elaboração passo a passo. São Paulo: Cengage Learnig, 2009.

SILVA JÚNIOR, Waldemar A. O coronelismo em Salgueiro: Uma análise da trajetória política do coronel Veremundo Soares (1920-1945). Recife: Bagaço, 2008.
WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. 2ª ed. Pioneira, s/d.

6.2. Periódicos

CONSTANTINO, Núncia Santoro. O que a micro-história têm a nos dizer sobre o regional e o local. In História Usininos. Porto Alegre, Vol. 8, Nº.10, 2004. p.157 a 178.
ROCHA, Elaine P. O racismo refletido na literatura brasileira e sul-africana entre 1909 e 1953. XII Encontro de História Anpuh-Rio. 2008.

6.3. Artigos

MARTIN, Jesús Martinez. História Sócio-Cultural: El tiempo de la história in la cultura.  2007. Universidade Complutense de Madrid.
MENESES, Paulo Marcio Leal de e SANTOS, João Barreto dos. Geonímia do Brasil: Pesquisa, reflexão e aspectos relevantes. 2006. Universidade Federal do Rio de Janeiro.

6.4. Internet

ALMEIDA, Djanira Sá. Família Alencar. WebArtigos.com. http://www.webartigos.com/  Acessado em 20/10/2010.
__________________. Família Sampaio. WebArtigos.com. http://www.webartigos.com/  Acessado em 20/10/2010.
___________________. Família Sá. WebArtigos.com. http://www.webartigos.com/ Acessado em 20/10/2010.
FILGUEIRA, Marcos. Ascendência pela família Filgueira. http://www.marcosfilgueira.wikidot.com/ acessado em 15/10/2010.
GUIMARÃES, Marcelo Miranda de. A restauração dos B´nei Anusim (Filhos Forçados). http://www.anusim.org.br/ Acessado em 20/10/2010.
PEREIRA, Maria. A maior tragédia do sertão cearense. http://www.mariapereiraweb.net/ Acessado em 15/10/2010.

V – ANEXOS

5.1. Brasões








                                                                          












Sobrinhos do personagem

5.2. Internet

Barbalha
Ceará - CE
Histórico
Nascida em terrenos particulares, sob o signo de uma verdadeira prosperidade econômica, dentro da qual se desenvolveu uma sociedade laboriosa, afortunada e nobre. A cidade de Barbalha originou-se nas terras de Capitão Francisco Magalhães Barreto Sá, casado com D. Maria Polucena de Abreu Lima, sergipana, em Vila Nova, o qual, obtendo licença do visitador Manuel Antônio, dando-lhe o patrimônio de meia légua de terras e gados, cujo templo foi sagrado pelo padre André da Silva Brandão, Vigário de Missão Velha, aos 23 de dezembro de 1790, em obediência à provisão firmada por Dom Diogo de Jesus Jardim, Bispo de Pernambuco, datada de 6 de junho de 1778.
Francisco Magalhães Barreto e Sá, o consagrado fundador de Barbalha, descendia de Men de Sá, 3º Governador-Geral do Brasil, e era filho de alferes Antônio Pinheiro de Magalhães, falecido a 16 de setembro de 1751, em Milagres, em cuja capela foi sepultado, e de Inês de Sá Souto Maior.
Foi em redor da capela construída pelo citado fundador de Barbalha que surgiram as primeiras casas originando a formação do pequeno arraial que posteriormente foi elevado a freguesia pela Lei Provincial número 130, de 30 de agosto de 1838, tendo como primeiro viagário o Pe. Pedro José de Castro e Silva.

biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/ceara/barbalha.pdf - Similares

O Arquivo Nacional e a História Luso-Brasileira
A Confederação do Equador
Cerco a Recife
Oficio de Manoel Carvalho Paes de Andrade, presidente da província de Pernambuco, a Tristão Gonçalves de Alencar Araripe, presidente da província do Ceará pedindo a aceleração de uma marcha que contenha maior numero possível de combatentes para enfrentar as tropas que vêm do Rio de Janeiro.
Conjunto documental: Confederação do Equador
Notação: caixa 742, pct. 01
Data-limite: 1808-1878
Titulo de fundo: Confederação do Equador
Código do fundo: 1N
Data do documento: 25 de agosto de 1824
Local: s.l.
Folhas(s): -
Em data de hoje escrevo de officio ao Exmo. Filgueiras [1] para acelerar sua marcha com o maior numero de gente que puder reunir, e mesmo agregar em caminho para acabarmos de uma vez com os escravos do Imperador novamente chegados do Rio de Janeiro em numero de mil e duzentos, segundo as informações mais verídicas, e até cartas do Rio de Janeiro. Temos em nosso bloqueio [2] a nau D. Pedro, e a seu bordo Lord Cochrane, o qual já me ofereceu artigos de capitulação [3], que não aceito pelos motivos que verá da Proclamação, e por que não sei capitular, só sei vencer, ou morrer.
Do impresso junto verá a concordata que fiz com o governo do Rio Grande do Norte, e parece-me muito a propozito fazer-se o mesmo entre este e esse governo, sendo do agrado de V.Ex.ª poder assinar dita concordata por parte deste governo o padre Luiz Carlos Coelho da Silva a esse fim autorizado nessa ocazião. A força daquella Província vai operar já sobre a Parahiba de acordo com as forças do centro da mesma Parahiba, que vão ser reunidas por [Belarmino] de Arruda Câmara, cujo irmão Major desta Província vai com elle: as forças que estavam ás ordens do Prezidente Temporário, tão bem se hão de reunir, e deste modo pretendo que em dias do próximo setembro fiquem concluídos os negócios da Parahiba, para mais dezafrontados entrarmos nas Alagoas, e sacudirmos para fora dos limites da Confederação [4], que he no Rio de São Francisco do Norte, aos frios escravos, que indignos pisam nosso solo.
Lord Cochrane tem-nos ameaçado com grande bombardeamento, o que muito tem assustado as mulheres e homens [cobardez] como ellas, deste Recife; porem eu nunca tive tanta coragem, e agora he que julgo a nossa cauza na crize da decisão a nosso favor. Tanto maior he o perigo, quanto mais glorioza hé a victoria. Conte V. Exª com a minha Constancia, assim como eu conto com a firmeza de V. Ex.ª, e cooperação do Exmo. Filgueiras.
Deos Guarde a V. Exª [ms.] [as.] Secretaria do governo de Pernambuco 25 de Agosto de 1824./
Ill mo e Exmo Snr. Tristão Gonçalves de Alencar Araripe [5], Prezidente do governo da Província do Ceará. Manoel de Carvalho Paes de Andrade [6]

[1] José Pereira Filgueiras nasceu na Bahia, em 1758. Proprietário de terras, chegou a ser capitão-mor do Crato, no Ceará, durante a revolução pernambucana de 1817. Sob seu comando, a rebelião foi debelada, tendo seus líderes (nomes como Tristão de Alencar, e sua mãe Bárbara de Alencar) presos e remetidos para Fortaleza. Foi feito comandante em chefe das forças expedicionárias por D. Pedro I. Porém, devido a insatisfações para com promessas não cumpridas pelo Imperador, Filgueiras mandou uma circular às câmaras da província, em termos pouco respeitosos para com a Majestade Imperial, e, retirou-se para Fortaleza, fazendo várias prisões, depondo o Presidente e anexando o Ceará à Confederação do Equador, proclamada em Pernambuco. Ao lado de Tristão Araripe (presidente), tornou-se o Governador das armas, no Ceará. Foi preso em novembro de 1824, durante a repressão ao movimento, pelas tropas imperiais, e morreria de febre palustre a caminho do Rio de Janeiro.
[2] No ano de 1824, o Recife foi bloqueado 2 vezes: o primeiro começou em fins de março, com a chegada de uma divisão composta pelas fragatas Niterói e Piranga. Sob comando de John Taylor, seu objetivo era garantir a nomeação de Francisco Paes Barreto, realizada por d. Pedro I e rejeitada pelo senado e pelas câmaras municipais de Pernambuco. A sua chegada, o comandante Taylor apresentou a proclamação do imperador, exigindo o cumprimento das suas ordens, ao que o senado resistiu. Incicialmente, alegando que aguardavam uma resposta definitiva do imperador, já que haviam pouco antes enviado uma representação ao Rio de Janeiro com o intuito de esclarecer e rogar ao imperador a compreensão e aceitação dos pontos de vista constitucionalistas dos pernambucanos. A reação de Taylor foi que se convocasse uma reunião do Grande Conselho para deliberar sobre a questão. Os mais de 300 membros do conselho, cientes que o objetivo da divisão naval enviada era impor o nome de Paes Barreto em substituição ao de Paes de Andrade, decidiram manter sua decisão, rejeitar o presidente escolhido pelo imperador e enviar outra representação ao Rio de Janeiro. O capitão John Taylor, então, decidiu decretar o bloqueio do porto do Recife, ao que Paes de Andrade respondeu determinando a prisão dos emissários de Taylor que se encontrassem em terra.
Em 11 de junho de 1824, depois de rejeitar mais um presidente - Carlos Mayrink - e de recusarem-se a jurar o projeto de constituição "apresentado" pelo imperador, as câmaras de Pernambuco receberam a notícia da suspensão do bloqueio, que pois na corte receava-se um ataque de forças portuguesas ao Rio de Janeiro e por isso, d. Pedro determinava o retorno de todas as embarcações a esta cidade. Suspenso o bloqueio em primeiro de julho, deixados à propria sorte em caso de invasão portuguesa, os pernambucanos recebem a proclamação da Confederação do Equador em 02 de julho de 1824.
Com a continuação da revolta e a não-concretização da invasão do Rio de Janeiro pelos portugueses, uma nova esquadra é enviada ao Recife, desta vez sob o comando de Cochrane, que encontrou a revolta já disseminada por várias províncias do norte. Esta força naval partiu do Rio de Janeiro, e contava com a nau d. Pedro I, a corveta Carioca, o brigue Maranhão, e os navios Harmonia e Caridade. As tropas terrestres do general Francisco Lima e Silva, compostas por 1.200 homens, encontravam-se também embarcadas. Elas foram levadas para Jaraguá em meados de agosto, enquanto a esquadra seguia para o Recife, onde aportaria em 18 de agosto. Diante da recusa à rendição, a cidade é bombardeada pela primeira vez. Parte da esquadra segue para o Ceará, e em outubro Cochrane estaria em Fortaleza debelando a rebelião cearense. Este último bloqueio, e a atuação das tropas de Lima e Silva acabariam na invasão do Recife e derrocada do movimento.
[3]Os rebeldes que levaram a cabo o movimento pela Confederação do Equador jamais capitularam de forma integral: a medida que as forças do "exército cooperador da boa ordem" avançava, algumas facções das forças confederadas capitulavam, e outras seguiam em marcha pelo interior de Pernambuco. Assim que chegou ao Recife, Cochrane emitiu várias proclamações, que resultaram em um ultimato aos rebeldes, dando-lhes até o dia 28 de agosto para se entregar. As negociações, mediadas pela pintora e preceptora da família real Maria Graham, mostraram-se infrutíferas, pois os confederados se mostravam irredutíveis a qualquer rendição sem que se incluísse imediata convocação de uma assembléia constituinte.
Depois do massacre de uma parte das forças rebeldes no Recife, em inícios de setembro, as tropas e lideranças restantes se refugiam em Olinda. Lima e Silva tenta forçar sua rendição incondicional, que acarretaria a execução sumária para as lideranças, e possivelmente para muitos outros oficiais também. Poucos aceitam, e a maioria prefere continuar a luta no interior. Meses depois, após um período de sérias privações e seguidas derrotas, a última coluna a resistir rende-se às tropas de Lamenha - ele mesmo, aliás, um desertor da Confederação - que apresentara termos de rendição benevolentes que jamais iriam se cumprir.
[4] Refere-se aos limites estabelecidos pelo estado a ser criado pelo movimento, reunindo as províncias do norte e quaisque outras que a elas se quisessem unir no futuro. Assim também ficou conhecido o movimento revolucionário republicano, iniciado no estado de Pernambuco, a 2 de julho de 1824, segundo a proclamação de Manuel de carvalho Paes de Andrade. O movimento se alastrou pelo nordeste do país, e tem ligações com as idéias liberais do século XVIII, com a Revolução Pernambucana de 1817, e representou a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de d. Pedro I, esboçadas na dissolução da Assembléia Constituinte de 1823 e, sobretudo, na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país. A mesma evidenciava uma preocupação com a região sudeste brasileira, especialmente o Rio de Janeiro (sua capital à época), em detrimento das demais regiões do Brasil, além de ter no "Poder Moderador" um elemento que evidenciava as tendências absolutistas do Imperador.
A Confederação buscava uma independência dos estados do nordeste brasileiro e a formação de uma confederação a exemplo dos Estados Unidos da América. D. Pedro I era declarado traidor, já que seus propósitos seriam o de entregar o Brasil nas mãos dos portugueses. Ao mesmo tempo, eram convocadas todas as províncias do norte a ignorar a autoridade imperial, e reunirem-se num Estado federativo republicano independente, sob a presidência de Pernambuco, e que ficaria conhecido como Confederação do Equador.
O Ceará foi, depois de Pernambuco, o estado que mais ativamente tomou partido na rebelião. Entre seus líderes, Tristão Gonçalves de Alencar Araripe e José Pereira Filgueiras. Várias cidades cearenses como Crato, Icó e Quixeramobim (antes Vila de Campo Maior) aliaram-se aos confederados pernambucanos, demonstrando suas insatisfações para com o governo imperial. Após confrontos com o governo provisório controlado pelo Imperador, foi estabelecida a República do Ceará, em 26 de agosto de 1824, tendo Tristão Alencar como presidente do Conselho que governaria a província. A forte repressão das forças imperiais, todavia, rapidamente derrotaram o movimento rebelde. As execuções das lideranças puseram fim ao movimento, cujo lema era "Religião, Independência, União e Liberdade", e custaram a Província de Pernambuco a perda de parte de seu território (a antiga comarca de Rio São Francisco), incorporada à província da Bahia. O movimento deixou também um rastro de rivalidades mortais, estagnação econômica e confrontos políticos por toda a região.
[5]Tristão Gonçalves de Alencar Araripe nasceu no Crato, em 1789, filho de Bárbara de Alencar, revolucionária de 1817 e da Confederação do Equador, (além de ter sido a primeira prisioneira política do Brasil, por sua participação em 1817). Ao lado da mãe, do irmão José Martiniano de Alencar, e do tio Leonel Pereira de Alencar, participou da Revolução Pernambucana de 1817, e na tentativa de revolucionar terras cearenses, no que seria chamado de República do Crato. Contudo, não houve êxito. Os revolucionários foram presos pelo capitão-mor José Pereira Filgueiras e enviados para presídios em Fortaleza.
Quando
da sua liberdade, e da eclosão da Confederação no Crato, aderiu ao movimento, tornando-se uma de suas figuras mais representativas. Tanto que em 26 de agosto de 1824, foi proclamado pelos rebeldes republicanos como presidente da Província do Ceará, destituindo-se, assim, do cargo o Tenente Coronel Pedro José da Costa Barros. Ao seu lado, José Pereira Filgueiras figurava como comandante das armas, velho comandante militar, outrora seu inimigo político mas com quem, lutando pela mesma causa em 24, formaria uma dupla de irresistível poder político.
Em outubro de 1824, em meio ao massacre promovido pelas forças imperiais, Tristão Gonçalves foi morto pelas tropas do capitão-mor das fronteiras, Antônio de Amorim, no município de Jaguaretema, interior do Ceará.
[6]O político brasileiro Manuel de Carvalho Paes de Andrade nasceu em Pernambuco, nos anos 1770. Quando jovem, passou uma temporada em Portugal e, de volta a Pernambuco, dedicou-se ao comércio. Esteve presente na Revolução Pernambucana de 1817 e, com a derrota do movimento, refugiou-se nos Estados Unidos, temendo a retaliação das autoridades. Após a anistia, em 1821, retorna ao Brasil, e ocupa o cargo de Intendente da Marinha. Foi eleito presidente da província de Pernambuco, provisoriamente, em 13 de dezembro de 1823, após a renúncia de Francisco Pais Barreto. Em 8 de janeiro de 1824, foi confirmado presidente pelos eleitores pernambucanos, contrariando as ordens do governo imperial, que indicara Francisco Pais Barreto para a presidência. Manoel de Carvalho foi o responsável pela proclamação da Confederação das Províncias Unidas do Equador, em 2 de julho de 1824. Malogrado o movimento, desloca-se para a Inglaterra, onde vive por volta de sete anos. Já de volta ao Brasil, foi eleito senador pela Província da Paraíba, e em 1834, foi novamente presidente da província de Pernambuco, além de deputado geral e senador do Império do Brasil, entre 1831 e 1855. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1855.

www.historiacolonial.arquivonacional.gov.br/.../start.htm?...


José Pereira Filgueiras
(1758-1824)


JOSÉ PEREIRA FILGUEIRAS, nascido na Bahia em 1758 foi Capitão-Mór do Crato no Ceará. Durante a revolta de 1817, fez contra-revolução, armou os povos, reconduziu todos os movimentos liberais que agitaram o Norte do País, que reconduziu e prendeu os conspiradores. Em 1822, ante a agitação que se desenhava no Crato, entre "Corcundas e Patriotas". FILGUEIRAS, fez cumprir ali o Decreto Imperial, que dividiu o Brasil em províncias.

O Imperador fez dele comandante em chefe das forças expedicionárias. Vendo, porém que D. Pedro não cumpriu as promessas que havia feito, mandou uma circular às câmaras da província, em termos pouco respeitosos para com a Majestade Imperial, e, retirando-se para Fortaleza, fazendo várias prisões depondo o Presidente e anexando o Ceará à Confederação do Equador, proclamada em Pernambuco.
FILGUEIRAS, era um bravo general, mas, seu exército não passava de um bando armado, sem melhor organização. Teve seu pesar, para manter as tropas, de permitir o saque. Procurou no entanto dar aspecto legal à pilhagem, processando as apreensões e levando-as a débito da receita pública.
Nas suas lutas constantes foi vencido e preso a 2 de novembro de 1824, na fazenda do Juiz, cercado, sem víveres e vendo seu exército dispersado, rendeu-se ao Major Bento José Lemenha Lins, mas, conseguiu fugir. Perseguido pelos Dragões Imperiais deles se libertou nas proximidades de São Romão, na Bahia, tendo subido o Rio São Francisco até as proximidades da Fazenda Perdigão, que ele fundou e que até hoje é próspera do oeste mineiro.
Foi avô de Antônio Alves Filgueiras que aqui deixou enorme descendência, e tio de José Caetano, renomado escritor e poeta brasileiro, autor de várias obras de direito.
www.amweb.com.br/filgueiras/jose_pereira_filgueiras.html

IV – CONCLUSÃO

O período de 1950/60 foi um momento decisivo para a família de Alexandre Parente, apesar de se considerarem ligados por laços de parentesco às famílias Sá e Sampaio e descendentes do fundador da cidade, foram sendo marginalizados e perseguidos pelos ramos mais poderosos do próprio clã e com a ascensão da família Soares nos anos 1920 acabaram totalmente excluídos dos benefícios clientelistas. O declínio do Coronel Veremundo, provocado pelas mudanças ocorridas no pós-guerra, permitiu que pessoas pobres, como Alexandre, tivessem condições de se dedicar a empreendimentos comerciais e se desenvolver de forma autônoma. Mesmo nas décadas anteriores, o desenvolvimento econômico da região causado pelos subsídios que os coronéis e seus aliados recebiam do governo, permitiu a seu pai Aristides desfrutar honradamente algum conforto como comerciante de gado.
Com sua morte precoce, os familiares de Alexandre perderam o rumo, não tinham nenhuma orientação burguesa nem conseguiam entrar nos círculos das elites do lugar. A falta de estudo e vocação comercial acabaram liquidando qualquer possibilidade de ascensão social, além do mais, a cultura residual de fazendeiros rudes e empobrecidos, camponeses ligados à produção agro-pastoril e o comercio de produtos da terra e orgulhosos de suas origens só contribuiu para a decadência familiar. Também seus homônimos barbalhenses com maiores oportunidades acabaram não conseguindo adaptar-se aos novos tempos. Os primeiros, apesar de numerosos, lutam para encontrar sua identidade e seu lugar nessa nova sociedade, sendo cada vez mais excluídos pela incapacidade de valorizar o estudo e a obediência proletária. O outro clã optou pela extinção. A família Parente acabou se beneficiando do pioneirismo de Alexandre, já que alguns primos pobres buscaram seguir seu exemplo e conseguiram dominar boa parte do pequeno comércio local até a década de 1990, quando a globalização permitiu que empresas de outros lugares predominassem na cidade.
A cultura residual dos pioneiros foi uma das grandes desvantagens dos Aristides, que não são ainda hoje capazes de pensar e agir como os imigrantes europeus, em um processo no qual o sertão nordestino guarda em relação ao Sudeste as mesmas diferenças culturais existentes entre o Leste Europeu e a Europa Ocidental. Tanto aqui como na Europa do Leste, o capitalismo provocou relações de dominação que fortaleceram a aristocracia local em

detrimento do desenvolvimento de uma classe média burguesa. Do ponto de vista cultural, a resistência patriarcal e seus valores dificultaram o desenvolvimento econômico, da mesma forma que a região onde existia a antiga Alemanha Oriental após 20 anos de unificação ainda exibe dificuldades de alcançar o mesmo nível de desenvolvimento da parte ocidental. A origem pioneira dos Parentes parece ser verdadeira, embora eles neguem a miscigenação visível tanto no biótipo quanto na cultura do clã. Quanto à ancestralidade judaica (sefardita), os indícios comprovam uma influencia tanto deste grupo quanto dos mouros na cultura familiar, o que não significa dizer que eles tenham essa origem, dada a difusão desses elementos na cultura portuguesa da qual eles inegavelmente descendem.
Este trabalho espera ter convencido os leitores de que é possível fazer um estudo sócio-cultural significativo usando a história oral, sites não oficiais e um personagem comum, bem como a importância de conhecer e registrar a percepção social de um grupo ágrafo em uma abordagem mais literária. Esse modelo permite ainda conciliar a Nova História Cultural com as análises de autores marxistas, construindo um relato interessante sem deixar de lado a crítica dos problemas sociais.